pronomes oblíquos

06.06.2009 08:52
Fecha 14.05.2009

 

Por Luís

Asunto pronomes oblíquos e outros

 Olá, durante uma aula de português surgiu uma dúvida com relação ao uso dos pronomes. A gramática diz que de ser "vou sentando-me", entretanto todos os brasileiros falam "vou me sentando". Afinal como podemos trabalhar com estes pronomes? há alguma sugestão de página na internet que trate deste assunto?
muito obrigado

 

 

Fecha 15.05.2009

Por Pame

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

Olha.. isso aí seria colocação pronominal em locuçoes verbais. Veja isto aqui:
2. Auxiliar + Gerúndio - há três possibilidades:

a) próclise ao auxiliar.
O amigo lhe estava confiando o segredo.

b) ênclise ao auxiliar.
O amigo estava-lhe confiando o segredo.

c) ênclise ao gerúndio.
O amigo estava confiando-lhe o segredo.

NOTA: “A interposição do pronome átono nas locuções verbais sem se ligar por hífen ao auxiliar, é sintaxe brasileira que se consagrou na língua literária, a partir (ao que parece) do Romantismo.
“O morcego vem te chupar o sangue.” (Alencar)


fonte: http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=gramatica/docs/pronominal

Tomara que ajude.
Abraço
Pam
 
Fecha 15.05.2009   

Por Marcos Bagno

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

Caro Luis,
existe um abismo profundo entre o que as gramáticas normativas do português dizem sobre a colocação pronominal e o que os brasileiros realmente falam e escrevem. As regras de colocação pronominal das gramáticas refletem os usos dos portugueses. No português brasileiro, porém, só existe uma regra: "os pronomes oblíquos se colocam sempre ANTES do verbo principal". Por isso, em "vou me sentando", o pronome "me" vem antes de "sentando", porque este é o verbo do qual ele é o complemento. Isso permite que os brasileiros iniciem frase com pronome oblíquo (como em espanhol e italiano): "Me chamo Marcos", embora isso seja considerado um "erro terrível" pela tradição normativa. O mesmo vale para o imperativo: "Me larga", "Se manda", "Te cuida". Etc.
A questão da colocação pronominal vem sendo debatida há um século e meio por filólogos e gramáticos. Infelizmente, as colocações pronominais caracteristicamente brasileiras continuam sofrendo a perseguição dos puristas.

 

Fecha 15.05.2009

Por Carlos Faraco

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

Caro Luís:

Eu diria que 98% das "regras" de colocação de pronomes são pura invenção. Tenho uma reflexão sobre o tema na minha coluna na página da Rádio CBN de Curitiba: www.cbncuritiba.com.br
O texto saiu no dia 19/11/2007.

Fico à disposição para continuar a conversar sobre este tema cuja história é, pelo menos, infame pelo mal que causou e continua causando aos estudantes de português língua materna e língua estrangeira.

Um grande abraço.
Carlos Alberto Faraco

 

Fecha 15.05.2009

Por Lorenzo Vitral

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

Prezado Luís,
A colocação dos pronomes átonos em português é assunto bastante complexo. Há diferenças entre os dois dialetos, isto é, o europeu e o brasileiro e a compreensão dos padrões de uso depende de aspectos tais como os padrões rítmicos dos dois dialetos e de suas evoluções históricas. Vou tentar, no entanto, sistematizar um pouco a matéria: no português europeu, o padrão é a ênclise como em "encontrei-a no cinema"; no português do Brasil,por outro lado, há uma tendência, na Fala, do emprego das formas tônicas como em "encontrei ela no cinema"; mas quando é empregado, o pronome átono aparece proclítico, isto é, "eu a encontrei no cinema". Por outro lado, mesmo no português europeu, existem "palavras atratoras", isto é, palavras que "atraem" o pronome para uma posição antes do verbo, por exemplo, a negação, as conjunções, alguns advérbios, etc; observe: "não a encontrei no cinema" ou "João disse que a encontrou no cinema". Ainda sobre o português do Brasil, não são todos os pronomes átonos que estão em desuso na Fala, ou seja, são apenas os de acusativo (ou com a função de objeto direto); os dativos ainda são muito usados,por exemplo: "eu te dei o livro". Para resumir,como regra geral, você pode, no português brasileiro falado, empregar ou o pronome tônico ou o pronome átono, mas este último sempre proclítico (isto é, antes do verbo).
Até breve,
Lorenzo.

 

Fecha 15.05.2009

Por Paulo Hernandes

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

Os puristas, gramáticos tradicionais consideram que o pronome oblíquo (o, a, me, mim, lhe, etc.), por ser átono, precisa apoiar-se em palavra tônica, isto é, que tenha tonicidade própria. Recomendam, porém, que esse pronome se apoie no verbo em forma modal e não, na forma nominal (gerúndio, infinitivo, particípio) nas formas compostas. Exemplo: "Vou-me sentando", "Quero-lhe enviar", "Tenho-me referido", etc. Nestes exemplos, "vou", "quero" e "tenho" são verbos na forma modal, isto é, conjugados em um dos modos (indicativo, subjuntivo, imperativo). "Sentando", "enviar" e "referido" são formas nominais no gerúndio, infinitivo e particípio, respectivamente. Para compreensão mais ampla do tema, o bom mesmo é estudar em boa gramática, na parte "Sintaxe", o capítulo "Colocação pronominal ou colocação do pronome oblíquo".
Espero haver ajudado.

 

Fecha 15.05.2009

Por Mário Perini

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

A única (mas única mesmo) posição do pronome átono é antes do verbo principal: estou me sentando. Vale inclusive para início de período: Me parece que... Essa é a única forma corrente em brasileiro falado. Estou sentando-me talvez seja comum na Europa, não posso afiançar. No português escrito há várias alternativas, mas são cada vez menos usadas no Brasil. E a forma do PB está cada vez mais sendo usada mesmo na escrita, exceto nos estilos mais formais.
A sintaxe do português difere aqui da do espanhol, que tende a levar o pronome para antes do verbo auxiliar; comparar: me estoy sentando, estou me sentando.
Mário Perini

 

Fecha 16.05.2009

Por Francisca Paula Soares Maia

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

A colocação pronominal tem sido alvo de alegrias e sofrimentos na Língua Portuguesa. Enquanto em Portugal se
privilegia a ênclise "Dá-me tua ajuda", no Brasil se privilegia a próclise "Me dá sua ajuda". As gramáticas normativas
chegam a prescrever que não se deve começar frases com os pronomes oblíquos, quando no Brasil o mais comum é
que se diga "Me fala tudo de novo"; "Te envio o email esperado"; "Nos vemos amanhã"... Isto gera uma grande artificialidade
na língua escrita, pois é preciso que nos 'policiemos' o tempo todo, no português brasileiro, ao usarmos estas formas pronominais, em respeito às convenções desta
modalidade linguística. Porém, a fala livre, sem vigilância, sem pedantismos, no Brasil vai manifestar a próclise muito
mais que a ênclise, que, por sua vez, representa a fala livre, sem vigilância, sem pedantismos em Portugal. Estas
observações são bons exemplos de que a variação linguística precisa ser considerada nos manuais de Língua Portuguesa.
Espero ter esclarecido sua dúvida.
Abrjssss PAULA
 

Fecha 20.05.2009

Por Darcília Simões

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

Olá,
A colocação dos pronomes átonos é regida pela tonicidade da língua. A língua portuguesa é paroxítona, logo, ao unir um pronome a uma forma verbal, se pretende formar uma palavra paroxítona.
Como herdamos uma gramática lusitana, as instruções de colocação pronominal se pautam na pronúncia lusa.
A fala brasileira, que é eminentemente vocálica, transgride aquelas regras em função disso.
Um luso diz: Diga-me seu nome. (colocação que prevalece na norma culta)
Um brasileiro diz: Me diga seu nome. (colocação só aceita no uso coloquial)

Um abraço.
Darcilia
 

Fecha 28.05.2009

Por Hélio Consolaro

Asunto Re: pronomes oblíquos e outros

As duas formas são corretas. O amigo deve ter em mãos um gramático purista, muito rigoroso, daqueles que gostam de embalsamar a língua.
Em meu site há uma página a respeito. O capítulo se chama "colocação pronominal".
Veja:
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=gramatica/docs/pronominal
Abraços

 

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